quarta-feira, janeiro 24, 2007

ACORDA!!!!!!!!

Um dia, sem que ninguém percebesse, acordei (cedíssimo) e saí de minha casa (pé-antepé) para que ninguém acordasse, o mais estranho nessa situação é que nessa época eu morava sozinho. Não sei quem minha intuição não queria acordar, talvez os fantasmas do passado, os horrores do presente, talvez quem não podia ser acordado era eu mesmo, a única pessoa que àquela altura eu queria enganar.
Ganhei a rua com uma sensação de condenado em final de sentença, com sensação de dívida paga, tempo cumprido. O dia estava claro e o sol, cegava meus olhos como se há tempos eu não o observasse (naquele momento percebi que não era mesmo comum eu notar o sol, talvez por isso estivesse tão brilhante).
Havia um cheiro delicioso, mas ao mesmo tempo estranho, um cheiro de terra misturado com perfume de existência (somente com essas palavras pude traduzir o cheiro que invadia meu nariz, não sei se me fiz entender) e as pessoas... Nossa!! Eram tão claras, tão inteiras, tão transparentes! Notem, naquela transparência não havia nada de ruim, não existia o mau, senão, eu poderia tê-lo detectado naquela hora, naquele momento claro, cheiroso e diurno.
Meus passos, como que aleatoriamente, foram se apertando, não sabia para onde me conduziam, não sabia o que me esperava ao dobrar cada esquina daquela cidade, mas eu ia... Uma situação interessante foi que, apesar do sol brilhante e do céu limpo, não havia suor, havia frescor. Havia um desejo contido e fixo em finalizar o trajeto, em chegar na meta, em atingir o alvo. Mas que alvo? Que meta? Que fim?
Neste momento resolvi não questionar (sempre pequei nas questões internas) segui e deparei-me com um riacho. Um riacho que noutros dias parecia-me poluído; parecia-me à beira de seu final, sem oxigênio, mas desse prisma brilhante do sol ameno e do frescor, a água límpida corria lentamente, porém com certeza, e pasmem! Havia peixes.
Pensei que tudo aquilo era surreal, apesar de ser o que deveria ser, era surreal. Todo aquele espaço percorrido já havia sofrido pela ação humana (vide:- desumana), mas estava de um jeito diferente, de um jeito estranho, mais bonito, mais vibrante.
Na beira do riacho havia flores, havia bichinhos que outrora me assustavam, mas que agora pareciam interagir com meu eu, pareciam conversar comigo e quando notei, passou por mim um coelho branco, correndo assustado, carregando um relógio e:- Vupt!!! Entrou dento de um buraco numa árvore.
Na hora gritei:- Caralho!!!! Eu sou Alice no País das Maravilhas!!!! Será que o comprimido que eu tomei ontem não era pra dor de cabeça??

terça-feira, janeiro 23, 2007


Inverno
Adriana Calcanhoto(Antônio Cícero/ Adriana Calcanhotto)

No dia em que fui mais feliz
Eu vi um avião
Se espelhar no seu olhar até sumir
De lá pra cá não sei
Caminho ao longo do canal
Faço longas cartas pra ninguém
E o inverno no Leblon é quase glacial
Há algo que jamais esclareceu
Onde foi exatamente que larguei
Naquele dia mesmo
O leão que sempre cavalguei
Lá mesmo esqueci que o destino
Sempre me quis só
No deserto sem saudade, sem remorso só
Sem amarras, barco embriagado ao mar
Não sei o que em mim
Só quer me lembrar
Que um dia o céu
Reuniu-se à terra um instante por nós dois
Pouco antes do ocidente se assombrar

Existem sons que são foda!!!! prendem a gente, lembram a gente, transportam a gente. Engraçado, essa música da Dri me apetece desde há muito tempo, porém havia adormecido em um canto qualquer de minha memória musical, agora se mostra tão presente, se mostra tão constante, virou trilha sonora desses dias, virou promessa! Vou ter que cantar.

sábado, janeiro 20, 2007


tive que ir,
antes de perder no espelho o reflexo costumeiro
antes de afrouxar a gravata, arrancar o sapato e abrir a camisa
tive que ir,
antes de me entregar por inteiro
antes que a luz invadisse meus olhos e eu enxergasse a verdade
tive que ir,
antes de reconhecer a mentira que vivo
antes de ver a verdade no impossível, no improvável
tive que ir,
antes de ser consumido pelo fogo fátuo
antes de perder o chão
tive que ir,
prá não ficar parado naquele momento
tive que ir,
prá não ter que ficar sozinho.

sexta-feira, janeiro 12, 2007


Sinto vergonha de mim!

"Por ter sido educador de parte desse povo, por ter batalhado sempre pela justiça, por compactuar com a honestidade, por primar pela verdadee por ver este povo já chamado varonilenveredar pelo caminho da desonra. Sinto vergonha de mimpor ter feito parte de uma eraque lutou pela democracia, pela liberdade de sere ter que entregar aos meus filhos, simples e abominavelmente,a derrota das virtudes pelos vícios,a ausência da sensatezno julgamento da verdade,a negligência com a família,célula-mater da sociedade,a demasiada preocupaçãocom o "eu" feliz a qualquer custo,buscando a tal "felicidade"em caminhos eivados de desrespeitopara com o seu próximo.Tenho vergonha de mimpela passividade em ouvir,sem despejar meu verbo,a tantas desculpas ditadaspelo orgulho e vaidade,a tanta falta de humildadepara reconhecer um erro cometido,a tantos "floreios" para justificaratos criminosos,a tanta relutânciaem esquecer a antiga posiçãode sempre "contestar",voltar atráse mudar o futuro.'Tenho vergonha de mimpois faço parte de um povoque não reconheço, enveredando por caminhosque não quero percorrer...Tenho vergonha da minha impotência, da minha falta de garra, das minhas desilusõese do meu cansaço.Não tenho para onde irpois amo este meu chão, vibro ao ouvir meu Hinoe jamais usei a minha Bandeirapara enxugar o meu suorou enrolar meu corpona pecaminosa manifestação de nacionalidade.Ao lado da vergonha de mim, tenho tanta pena de ti, povo brasileiro!De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderesnas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto."
Rui Barbosa

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quinta-feira, janeiro 11, 2007


Oração a São Jorge

Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam, e nem em pensamentos eles possam me fazer mal.
Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar, cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar.
Jesus Cristo, me proteja e me defenda com o poder de sua santa e divina graça, Virgem de Nazaré, me cubra com o seu manto sagrado e divino, protegendo-me em todas as minhas dores e aflições, e Deus, com sua divina misericórdia e grande poder, seja meu defensor contra as maldades e perseguições dos meu inimigos.
Glorioso São Jorge, em nome de Deus, estenda-me o seu escudo e as suas poderosas armas, defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza, e que debaixo das patas de seu fiel ginete meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós. Assim seja com o poder de Deus, de Jesus e da falange do Divino Espí­rito Santo.
São Jorge Rogai por Nós.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Começou ontem o BBB7, crí­ticas à parte, eu - como um bom voyer assumido - estou ansioso para conhecer aquelas pessoas que lá se encontram. diante disso coloco aqui um texto o Bial que ele escreveu na morte do Bussunda e que, particularmente, como tudo que ele escreve, amei!!!!

"A morte, por si só, é uma piada pronta. Morrer é ridí­culo. Você combinou de jantar com a namorada, estão em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente? E aqueles momentos com a namorada que ficaram pra depois?
Não sei de onde tiraram esta idéia: morrer. A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas quí­micas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação fí­sica, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto a profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente... De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão entre carros, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinqüênte que gostou do seu tênis. Qual é? Morrer é um chiste. Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida, sem ter dito Eu Te Amo pra quem você queria. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira. Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu. Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério? Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo? Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça. POR ISSO VIVA TUDO O QUE HÁ PRA VIVER. Não se apegue às coisas pequenas e inúteis da Vida... Perdoe....Sempre!!!" - Bial

terça-feira, janeiro 09, 2007

Eu queria ter postado no anterior, mas só consegui neste, aliás esta foto mostra muito bem a essência de meu EU (rsrsrsr)

bjs
no coração
No dia 20 de novembro de 1966, às 17 horas, na Santa Casa de Misericórdia de Avaré, eu vinha ao mundo, com uma fome de vida incomparável, com uma sede de saber inesgotável. Deus me deu como regente, além Dele mesmo, o signo de escorpião e a ascendência entre Touro e Áries. Cheguei rasgando as entranhas de minha mãe, um garoto que pesava quase cinco quilos. Numa família de cinco irmãos, morando com os pais e a avó.
De minha Avó, lembro pouco. Lembro que deveria ter dado mais ouvido às suas histórias, lembro que deveria ter dito mais vezes eu te amo, lembro que o mundo, aos olhos de minha avó espanhola era repleto de simplicidade, de respeito, de vida e de sabedoria.
De meu pai, lembro do trabalho, do carisma, das amizades, da ingenuidade, da confiança depositada nas pessoas erradas, mas lembro também da fragilidade dos acidentes e do tempo que teve em vida para reconhecer seus erros e ficar mais ameno, mais querido, mais pai.
De minha mãe, lembro da batalha, lembro da anulação de sua vida pra criar seus cinco filhos mais o filho de uma irmã e, ainda por cima, cuidar de um comércio, cozinhar, satisfazer os filhos, anular sua existência em detrimento dos outros com uma doçura digna de uma mãe.
Do irmão adotivo lembro da obediência, lembro do desajuste, por mais que não discutí­ssemos os laços consanguí­neos, e esses laços existiam, pois era filho da irmã de minha mãe, lembro do trabalho braçal, das viagens de caminhão, de cachoeiras, natureza, pic-nics, lembro da Bahia e do retorno.
Do irmão mais velho, já falecido, lembro das loucuras, da vida desregrada, da ganância em viver cada segundo como se fosse o último, lembro das mazelas da vida, do álcool, do cigarro, da doença e de seus filhos; lembro da morte assolando a família intacta, a morte prematura, anunciada à noite enquanto eu dançava em um clube qualquer.
Do outro irmão, lembro da proximidade na infãncia, da tentativa de ensinar a andar de bicicleta, do presente dado com carinho que era uma tartaruga e que tive medo durante todo o tempo em que ela existiu, lembro do trabalho, da vontade de crescer, da vontade de existir e ser alguém lembro das ousadias de investimentos, de compras e trocas, de ascensão e queda, lembro de mudanças, de casas, cidades, estados, lembro de batalha constante e tentativa inerente para achar seu lugar ao sol, sempre com religiosidade e afinco.
Da irmã mais velha lembro da fragilidade, da diferença, da doçura e do amor forte, respeitoso, incondicional, do amor que não cobra, do amor que simplesmente existe por existir e não se discute, sente-se. Lembro da sua entrega nas mãos dos outros, e rezo para que os outros utilizem essa entrega da melhor maneira possí­vel, para que não a fira, para que não a desgaste.
Da outra irmã, lembro da cumplicidade, da igualdade, da alma gêmea, da alegria, da força, da determinação, da suavidade, da reclamação, da beleza, do bom gosto, da maternidade, da amizade, lembro até de mim mesmo olhando pra essa mulher inteira, completa e vibrante... lembro que amo, não lembro desde quando.
De todos eles lembro que cada um, a sua maneira, em sua vez, trouxe para meu coração pessoas interessantes, pessoas difí­ceis pessoas amáveis, complicadas, enfim seres necessários no aprendizado, seres que amaram os filhos da Dona Cida, seres que depositaram confiança na criação desses irmãos, e lembro de seus rebentos......
Cada olhinho que brilhava ao nascer enchia a casa e a família de esperança e de certeza na continuidade do gen, na continuidade do aprendizado adquirindo às duras penas e agora, esses rebentos já geram os seus, já trazem olhinhos brilhantes novamente, continuam a saga, continuam a conquista do espaço, crescem e multiplicam, e ecoam na eternidade, por intermédio de filhos, de arte, de trabalho, de conquistas, de alegrias, de tristezas, refazem a história começada. Ciclicamente.
De mim mesmo, lembro da ousadia, da busca, do encontro, da arte, da alegria, da queda, da phênix e de minha necessidade constante em ser alguém, em marcar o território, em não passar batido, lembro que completo 40 anos, impensáveis para alguém que sempre se colocou jovem, moderno, dinâmico. Alguém que sempre respeitou e se fez respeitar, alguém que sempre amou e ainda ama, só que agora com a calmaria do final da tormenta. Do meu amor, lembro da loucura, da entrega, dos ajustes, das conquistas, do trabalho, das arestas aparadas e do respeito. De quem eu amo, lembro do Beto.

Avaré, 20 de Novembro de 2006

segunda-feira, janeiro 08, 2007


Sejam bem vindos....

É isso aí:- eu possuia um Blog que saiu do ar por falta de visita. Aliás, nem eu o visitava e, na solidão ele sumiu, escafedeu-se!!!!
este aqui é inspirado no fato de eu ter ficado fissurado no Blog de um amigo, que aliás, indico a todos - http://fonsequense.blogspot.com/ - o nome dele é Felipe e um grande jornalista em iní­cio de carreira... o cara é promissor.

bem, é isso, estou apenas iniciando... amanhã tem mais! e depois, e depois, e depois.....

espero que este não caia em auto-esquecimento