sábado, janeiro 20, 2007


tive que ir,
antes de perder no espelho o reflexo costumeiro
antes de afrouxar a gravata, arrancar o sapato e abrir a camisa
tive que ir,
antes de me entregar por inteiro
antes que a luz invadisse meus olhos e eu enxergasse a verdade
tive que ir,
antes de reconhecer a mentira que vivo
antes de ver a verdade no impossível, no improvável
tive que ir,
antes de ser consumido pelo fogo fátuo
antes de perder o chão
tive que ir,
prá não ficar parado naquele momento
tive que ir,
prá não ter que ficar sozinho.

Um comentário:

lipe fonseca disse...

Poutz! Que pena que teve mesmo de ir. às vezes é bom ficar, se perder no meio de tanta alegria e se entregar sem se preocupar com as gravatas e sapatos que os outros esperam de todos nós. enfim, a vida tem dessas, entendo o que você disse... abraços. Adorei o blog e vou linkar.